Infelizmente nenhum jornal do Rio noticiou o que só a Folha de São Paulo teve coragem e está na edição de hoje (12/07).// Documento produzido por um perito independente contratado pela OAB concluiu que vítimas da operação policial no complexo do Alemão, no Rio, foram mortas a sangue-frio.

Preparado pelo médico-legista e perito judicial Odoroilton Larocca Quinto, o relatório, feito com base nos laudos do IML, aponta que, pelo ângulo dos disparos, de cima para baixo, algumas vítimas estavam sentadas ou ajoelhadas, o que indica que teriam sido rendidas pelos autores dos tiros.

Ainda de acordo com o documento, as vítimas apresentam "inúmeros ferimentos" nos braços, resultantes de uma "conduta de autodefesa". Ou seja, no momento dos disparos fatais, elas procuraram, com braços e mãos, proteger cabeça e tórax. Essa postura indica que estavam desarmadas, segundo o legista.

O governador Sérgio Cabral e o secretário de segurança, José Mariano Beltrame garantiram em diversas ocasiões, que as mortes ocorreram durante confrontos e que não houve excessos.
E agora governador Sérgio Cabral ? E agora Doutor Beltrame ? O relatório revela que uma das 19 vítimas que teve o laudo analisado pelo perito independente, morreu porque teve a garganta cortada a faca. Os jornais do Rio não deram uma linha, mas a verdade está vindo á tona.

Não estou aqui para servir de arauto dos direitos humanos para bandidos. Porém, volto a repetir, o limite da atuação da Polícia tem que ser a Lei. Quando o governador e o secretário de segurança mesmo perante todas as evidências, insistem em defender a ação policial da forma traumática que está sendo feita, com dezenas de vítimas feridas ou mortas, comprovadamente inocentes está se legitimando a política da “matança generalizada”.

Isso não é um “remédio amargo” como gosta de afirmar o secretário Beltrame, isso é um vírus que contamina e destrói a vida de pessoas inocentes.

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