Muito interessante o artigo de Bernardo Mello Franco, da Folha de S. Paulo (vejam postagem anterior) dizendo que certos políticos têm sete vidas, mas que Sérgio Cabral deve ter quatorze. Realmente é notável sua capacidade de fugir da polícia e da justiça. Bom minha profissão é jornalista, mas vou dar algumas trilhas por onde os investigadores podem caminhar para achar o ouro que Cabral jura ter perdido na floresta.
Cavendish e a Delta são apenas aperitivos do tesouro do "desbravador" Sérgio Cabral. É verdade que ninguém chegou ao acinte de Cavendish de presentear a ex-primeira dama com uma anel de R$ 800 mil. Mas Cavendish é apenas uma marolinha de lama no mar sujo de Sérgio Cabral. Não há dúvida de que os dois são corruptos de alta patente, mas Cabral é de longe o "descobridor dos sete mares".
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| Mauricinho Cabral, irmão de Sérgio Cabral |
1 - Maurício Cabral - Qualquer cidadão que acompanha os bastidores da política sabe que o irmão do ex-governador operou um esquema bilionário de desvios de verba de propaganda e assessoria política junto com a antes minúscula FSB, até então detentora da conta de publicidade apenas de Duque de Caxias, e que de repente com a chegada de Cabral ao poder torna-se a gigante do mercado de assessoria e publicidade, comandada Francisco Brandão. Se a polícia investigar Mauricinho Cabral, como é conhecido, Francisco e Cabral, terão celas lado a lado em qualquer presídio.
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| Rei Arthur, do Grupo Facility |
2 - Arthur Cesar Soares Filho, o Rei Arthur - O homem que chegou a ter R$ 1,5 bilhão de contratos de terceirização no Estado, somente de mão-de-obra. Hoje vive confortavelmente na sua mansão em Miami, e é sócio de Cabral numa off shore montada por Nelson Côrtes, irmão de Sérgio Côrtes, seu ex-secretário de Saúde.
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| Adriana Ancelmo, mulher de Cabral (à direita) exibindo seus sapatos Louboutin em Paris |
3 - Adriana Ancelmo, a mulher de Cabral, que ele chamava de "a melhor advogada do Brasil" - Foi o escritório de advocacia de maior rentabilidade na história do Rio de Janeiro. Negociando precatórios do Estado no mercado secundário, que só podiam ser autorizados por Regis Fichtner (secretário da Casa Civil de Cabral) ficou milionária, enquanto o governo estadual hoje não tem dinheiro para pagar servidores e aposentados. É dela a famosa foto em frente à Galeria Laffayette, mostrando a sola do seu saptinho Louboutin. Madame Cabral adora um luxo. Se fizerem com ela o mesmo rastreamento dos cartões de crédito, que fizeram com a madame Cunha vão ver que a mulher do ex-deputado é até comedida perto da do ex-governador.
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| Wilson Carlos com um Porsche em Paris; e dançando na boquinha da garrafa com Cabral numa farra da Gangue dos Guardanapos na capital francesa |
4 - Wilson Carlos (ex-secretário de Governo de Cabral) - Esse fiel escudeiro do governador, seu colega de colégio é um fenômeno da impunidade nacional. Há anos venho divulgando neste blog a conta de sua propriedade num banco em Hong Kong, onde eram feitos depósitos mensais por empreiteiras brasileiras. Tudo foi devidamente documentado pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia. Mas Wilson Carlos, esse símbolo da impunidade nacional, resiste bravamente.
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| Sérgio Côrtes (à esquerda) com Fernando Cavendish (centro) numa farra da Gangue dos Guardanapos |
5 - Sérgio Côrtes (ex-secretário de Saúde de Cabral) - Esse sem dúvida escolheu a atividade certa: é ortopedista. Porque não se conhece na história alguém que tenha sido "quebrado" tantas vezes e continue inteiro como ele. Comprou uma cobertura duplex na Lagoa Rodrigo de Freitas, cuja escritura publicamos no blog, pagando à vista em dinheiro vivo, sem precisar declarar a origem. Bateu de longe o ex-presidente Lula com seu triplex do Guarujá, que está todo enrolado. Côrtes comprou um dos metros quadrados mais caros do Rio. Côrtes comandou um esquema de organizações sociais onde gerou prisão até no Rio Grande do Norte, sem que ele fosse atingido, embora o mentor e executor de tudo fosse lotado no seu gabinete no Rio de Janeiro. É um gênio. Em outra operação fantástica conseguiu que o primo da sua mulher assumisse a responsabilidade pelas fraudes milionários no escândalo da Toesa, e Côrtes saiu como sempre livre, leve e solto.
Eu não si porque levaram tanto tempo para associar Cavendish a Cabral. Seus esquema eram antigos, antes dele se tornar governador. Cavendish, um homem frio, mau e calculista nunca teve amigos. Todos para ele sempre foram pontes para ganhar dinheiro. Certa vez Cabral e Eduardo Cunha discutiam sobre Cavendish, e o ex-governador, com seu costumeiro jeito de brincar com coisas sérias, pergunta a Cunha: "Eu não sei como você aguenta o Cavendish?". Cunha, com sua frieza e costumeira inteligência respondeu: "Eu o aturo pelo mesmo motivo que você". Uma boa pista nesta breve crônica em auxílio à equipe da Lava Jato seria fazer uma breve pesquisa sobre os clientes da Mossack Fonseca.
Vocês lembram que numa certa ocasião mostrei no blog a conta do pai e da irmão de Eduardo Paes no Panamá com R$ 8 milhões. Eles estavam na classificação "chumbo", o que representa pouco valor nos códigos da empresa. Cabral já oscilou entre as classificações "ouro" e "platina" várias vezes. No momento, confesso que não sei qual é a sua classificação. Pode ser "prata", "brilhante", mas uma coisa é certa, se a Lava Jato for a fundo, Cabral será o campeão de medalhas na Olimpíada da Corrupção.
Quem quiser gastar um pouquinho de tempo busque no meu blog nos últimos dez anos, pelo menos uma centena de matérias que fizemos denunciando as mutretas de Cabral e sua gangue. Às vezes uma fatalidade, uma foto, podem chamar mais a atenção do que um tesouro escondido. O mundo político descobriu Cabral quando eu publiquei sua foto ao lado de Cavendish em várias farras em Paris e Mônaco. Cavendish, inclusive, de guardanapo na cabeça. Outro dia soube que numa roda de políticos, Cavendish disse: "Eu detesto muitos políticos, mas há um que eu odeio, chama-se Garotinho". Quero dizer a vocês que a recíproca não é verdadeira, por ele eu sinto apenas pena por ser uma personalidade desprezível, que ama mais o dinheiro do que a vida.