Imagem da TV Globo
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Essa é mais uma situação que ultrapassa os limites do absurdo. Ontem, foi mostrado nos noticiários da Globo, mais de 500 viaturas e motocicletas da PM paradas por falta de dinheiro para manutenção e combustível. Pois a PM diz que precisa da ajuda dos prefeitos para carros e motos poderem voltar a circular. O que Beltrame quer é que os prefeitos assumam os gastos com manutenção, peças e combustível. É bom lembrar que os municípios fluminenses vivem sua maior crise. Além da queda dos royalties, tem a crise federal, a falta de repasses constitucionais federais e estaduais, além da crise do governo estadual, que não ajuda em nada as prefeituras. E agora Pezão e Beltrame querem que as prefeituras ainda paguem pelas viaturas da PM. Está tudo errado. Se fosse no meu governo estaria apanhando de todos os lados.

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08/07/2015

11:39

O lado sombrio do verão que frequenta as páginas policiais há 24 anos - Rio

Em 19 de outubro de 1992, o título de uma reportagem do GLOBO destacava: “Arrastões aterrorizam as praias da Zona Sul do Rio”. Mais de duas décadas depois, a notícia não parece deslocada, já que o fenômeno voltou a ganhar as páginas do jornal nos últimos anos. Do tempo em que telefones celulares eram artigos de luxo até o verão em que barraqueiros avisavam por WhatsApp se a praia estava ou não segura, os arrastões continuam provocando as mesmas reações das forças de segurança: reforço no policiamento, revistas em passageiros de ônibus e blitzes em ruas de grande fluxo. Em artiguete na primeira página, O GLOBO alertou para o problema ocorrido naquele domingo, 18 de outubro de 1992: “Vamos agora aceitar passivamente que o prazer de ir à praia seja substituído pelo medo de ir à praia?”. Os arrastões surgiram no cotidiano da cidade em 1991. Em dezembro daquele ano, uma pesquisa feita pelo Departamento de Marketing do GLOBO mostrou que 41% dos cariocas acreditavam que a estação que se aproximava seria o “verão do arrastão”. Foi quase um ano depois, no entanto, que as cenas, especialmente em Copacabana e Ipanema, tornaram-se mais frequentes, e as imagens se espalharam pelo mundo. Brigas entre jovens de comunidades rivais? Ações orquestradas para roubar banhistas? As hipóteses se difundiam na velocidade da correria nas areias, mas a certeza de que havia um fato jornalístico relevante no ar era indiscutível. No fim de semana seguinte ao do tumulto que motivou o editorial, todas as atenções foram direcionadas para a orla. — Não estava de plantão, mas fui convocado. O jornal montou um grande esquema de cobertura, e vários repórteres e fotógrafos foram escalados para percorrer a orla, de Copacabana ao Leblon, em busca de flagrantes de arrastões — lembra o jornalista Aydano André Motta, então repórter da Editoria Rio. Policiamento reforçado. O reforço no aparato de segurança — 950 policiais foram mobilizados — inibiu a ação das gangues, mas o nervosismo pairava no ar. No fim da tarde de 25 de outubro de 1992, um domingo, 15 pessoas foram detidas em Ipanema, sob suspeita de planejarem um arrastão. Em meio à tensão, um grupo, por conta própria, resolveu fazer a segurança da orla. Cerca de vinte lutadores de jiu-jítsu se organizaram durante a semana e foram para a ação — que eles chamavam de antiarrastão — sábado e domingo. — A prevenção é o medo. Nossas rondas tiveram repercussão, então isso intimidou a bandidagem — afirma o empresário Wallid Ismail, ex-atleta profissional de jiu-jítsu e MMA. — A gente comandava aquela área. Se os caras cruzassem com a gente, era encrenca braba. Na segunda-feira posterior ao fim de semana de grande mobilização, o alívio: “Domingo seguro revive magia de Ipanema”, dizia um dos títulos da edição de 26 de outubro de 1992. A tranquilidade foi apenas momentânea. O assunto voltaria às páginas diversas vezes. “Arrastão causa pânico em Copacabana”, noticiou O GLOBO em outubro de 1993. “Combate a gangues de areia”, em 1999, anunciava as medidas de segurança que seriam tomadas após o arrastão mais recente: blitzes em ônibus, policiais de plantão nos pontos finais dos coletivos e reforço no policiamento na areia e no calçadão. No último verão, um centro de monitoramento, com câmeras de alta resolução, foi montado no Arpoador após os arrastões que aconteceram na orla. Já o barraqueiro Jeziel Cruz de Aragão, 33 anos de praia, passou a usar sua visão privilegiada para deixar os clientes bem informados: — Foi o verão todo falando no telefone e mandando mensagem. Várias vezes eu disse que nem adiantava vir para a praia, porque tinha muito pivete. Jornal Extra 08/07/15 - EM 24 ANOS A COISA SÓ PIOROU, É TRISTE A SITUAÇÃO DO RIO