Chega hoje (07/11) ao Rio o comissário da ONU para investigação de execuções sumárias, o austríaco Philip Alston. Vem para investigar a atuação da polícia do Rio nas operações realizadas nas comunidades carentes, onde está havendo uma matança de inocentes.
Até as Nações Unidas estão preocupadas com a política de segurança do governador Sérgio Cabral.
Antes já tinham se manifestado a OAB, a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Ministério Público, além de vários organismos de defesa dos direitos humanos.
Todos, dentro do seu âmbito de atuação, já vieram a público questionar a política de segurança de Sérgio Cabral, que se resume a invadir comunidades, promovendo intensos tiroteios que resultam sempre na morte de inocentes. Essas ações já mostraram, através de laudos, que houve sim execução de pessoas dominadas e desarmadas.
A polícia tem que ir até onde estão os bandidos. Não pode deixar de combatê-los. Mas é preciso planejamento e responsabilidade com a vida dos inocentes.
Além disso, o governo tem que ir onde estão os cidadãos. Não pode abandoná-los à própria sorte.
O governador Sérgio Cabral acabou com os programas sociais dirigidos aos jovens logo que assumiu. E, por incrível que pareça, até hoje não houve uma única ação social nas comunidades traumatizadas com as ocupações policiais, como a Vila Cruzeiro, o Complexo do Alemão e a Coréia, na Zona Oeste.
Sérgio Cabral e seu secretário de segurança, José Mariano Beltrame, não estão nem aí para a população pobre. Se limitam a repetir que estão enfrentando a bandidagem e tratam os casos que envolvem vítimas inocentes como acidentes de percurso inevitáveis.
Gostam de citar o exemplo da Colômbia, que conseguiu reduzir a criminalidade. Só não dizem que os colombianos estão vencendo esta guerra, graças a amplos programas sociais lançados simultaneamente ao combate ao narcotráfico.
Além do mais, o exemplo colombiano não serve para nós. Porque lá, ao contrário daqui, os narcotraficantes estão associados a grupos guerrilheiros motivados por uma forte conotação política. São situações diferentes.
O pior é que aqui até agora, nenhuma comunidade foi retomada e o tráfico erradicado como tanto apregoam Cabral e Beltrame. Apenas está aumentando o número de mortes – em muitos casos de pessoas trabalhadoras e de bem.
Trabalho de planejamento pressupõe, entre outras coisas, a obtenção de informações junto aos bandidos presos. Este ano – os números oficiais comprovam – se prendeu muito menos do que no ano passado e foram menores as apreensões de armas e drogas.
É bom que se investigue a situação do Rio, porque ninguém suporta mais viver sob a ameaça de ser a próxima vítima de uma operação policial mal planejada, mal orientada e mal executada.