O Rio de Janeiro tem esse resultado porque aqui se produz mais de 80% do petróleo brasileiro. E explorar, transportar e refinar petróleo não é o mesmo que plantar flores. É uma atividade de risco para o ambiente e para as pessoas, por isso existe a contrapartida dos royalties, além de ser uma compensação pela riqueza estar em nossas águas territoriais. E para quem não sabe, ao contrário de todos os outros produtos, o ICMS do petróleo não é cobrado na origem, onde é produzido, e sim no destino, o que faz com que bilhões deixem de entrar nos cofres do Estado do Rio de Janeiro. Ainda assim outros estados querem tirar os nossos royalties. Essa é uma questão.
Podem estar certos que em cima dessa notícia, Cabral e Paes, já, já vão publicar anúncios exaltando os seus governos e a parceira do governo federal, como se eles fossem os responsáveis por haver petróleo no Rio de Janeiro. É bem típico deles.
Aliás, Lula e o PT sempre tiveram o desplante de dizer nas suas propagandas eleitorais e partidárias que foram eles que reabriram os estaleiros navais do Rio de Janeiro impulsionando a indústria do petróleo. Uma tremenda mentira que a imprensa preferiu acobertar apenas para não ter que mostrar a verdade que mostra um dos grandes acertos do meu governo.
Reabertura dos estaleiros navais no governo Garotinho impulsionou a indústria do petróleo
Eu sei que nos tempos modernos quem escreve a história do momento é a imprensa. A verdadeira História muitas vezes só vem à tona anos e anos depois, às vezes após décadas, pela mão dos historiadores e pesquisadores que não estão a serviço de interesses políticos, nem se deixam influenciar por ideologias partidárias.
Em cima dessa notícia de que o Rio de Janeiro, por conta do petróleo, é o responsável pelo superávit da balança comercial brasileira me lembrei de um fato que se enquadra no que disse abrindo este artigo. É uma das grande injustiças da imprensa com o meu governo, mas que um dia a verdade será do conhecimento de todos. Me refiro à reabertura dos estaleiros navais do Rio de Janeiro no meu governo, que sem essa iniciativa jamais a indústria do petróleo teria crescido tanto e gerado tamanha riqueza para o país.
Quando assumi o governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1999, todos os estaleiros do Rio estavam fechados há uma década. O setor de indústria naval tinha no nosso estado 500 empregados, quando na década de 70 eram 35 mil (40 mil no Brasil). Decidi me empenhar para reabrir os estaleiros e criar empregos para milhares de metalúrgicos que ficaram desempregados, muitos vivendo de bicos. Em 2000 reabri o antigo estaleiro Verolme (hoje BrasFels), em Angra dos Reis, e um a um, os estaleiros de Niterói foram sendo reabertos. Para vocês terem uma idéia no final do governo de Rosinha a indústria naval do Rio já empregava quase 30 mil pessoas, quase o mesmo nível da época do seu apogeu nos anos 70.
É óbvio, que se os estaleiros foram reabertos em 2000 / 2001, logo não foi no governo Lula que se elegeu só em 2002 e assumiu em 2003. Até por uma questão de justiça devo frisar que contei com o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que mesmo sendo meu adversário político nunca perseguiu o Rio por causa de quem era o governador, como fez Lula com Rosinha.
Quem conhece bem essa história - podem perguntar-lhe - e já escreveu vários artigos sobre essa conquista do governo Garotinho é o atual presidente da CEDAE, Wagner Victer, que foi o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do meu governo e do de Rosinha, e que diga-se de passagem fez um bom trabalho nessa área.
Eu sei que alguns de vocês devem estar estranhando eu citar e até elogiar Wagner Victer que tantas vezes critico e mostro as coisas erradas que vem fazendo à frente da CEDAE. Mas não estranhem porque eu, ao contrário de muitos políticos, não sou homem de duas caras. Eu não sou hipócrita e digo aquilo que eu sinto e acho que devo expressar, mas não faz parte do meu caráter a ingratidão, mesmo com aqueles que me traíram. Ele foi um bom secretário até porque estava na área que conhece. Depois preferiu ouvir "o canto da sereia" de Cabral, traiu os companheiros de jornada, se meteu numa área que não conhece e passou a agir segundo a cartilha do chefe. Aí só ele pode explicar.
Voltando ao tema principal, a verdade é uma só. Não vou dar uma de Cabral ou Paes, o petróleo é uma riqueza natural, agradeça-se a Deus por termos tanto no Rio de Janeiro, mas se eu não tivesse reaberto os estaleiros do Rio de Janeiro estejam certos que o crescimento da indústria de petróleo não estaria no nível atual porque não existiriam condições de atender a demanda por embarcações, plataformas e equipamentos. Mas para os leitores mais recentes do blog que não conhecem a história que a imprensa escondeu, reproduzo abaixo uma postagem de 2010, onde conto a história da reabertura dos estaleiros navais do Rio. Se a iniciativa tivesse sido de Cabral ou Paes obviamente estariam sendo incensados como homens de visão; que esse seria um legado maravilhoso das suas gestões. Mas foi obra do Garotinho. Podem esconder, mas um dia a História (com "H" maiúsculo, não essa forjada nas redações) me fará justiça.
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| Reprodução do Blog do Garotinho (Clique na imagem para ampliar) |