Capa da revista VEJA desta semana
Capa da revista VEJA desta semana



A revista VEJA traz esta semana como reportagem de capa, os negócios de Fernandinho Beira-Mar atrás das grades. Bela matéria sobre a vida do maior bandido do Brasil na prisão, estarrecedora, revela os métodos que permitem a Beira-Mar continuar até hoje, sendo o maior traficante e distribuidor de drogas do país, mesmo estando há dez anos preso, a maior parte desse tempo em presídios chamados de segurança máxima.

Mas na história de Fernandinho Beira-Mar há um capítulo que foi banido pela imprensa, assim como se faz nas ditaduras mundo afora, que suprimem dos livros de história os fatos e os personagens que incomodam. Na matéria da VEJA, assim como em inúmeras já publicadas sobre o traficante, principalmente na imprensa carioca, só permanece obscuro, como se fosse um mistério, o episódio da prisão de Beira-Mar, não por coincidência no meu governo.

A trajetória do bandido até se tornar o todo-poderoso do tráfico já foi amplamente noticiada. O mesmo acontece para o seu histórico atrás das grades. Mas se Beira-Mar está trancafiado há 10 anos é porque alguém o prendeu. E como é que ele foi preso? Por que ninguém conta essa parte?

Bem, Fernandinho Beira-Mar foi preso no meu governo, em maio de 2001. Estava na Colômbia, num acampamento das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) perto da fronteira do Brasil, com o homem da guerrilha responsável pela conexão com o narcotráfico, o Negro Acácio, que morreu na operação. A ação foi executada por militares colombianos, mas as informações sobre a presença de Beira-Mar e sua movimentação na Colômbia foram passadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que vinha monitorando pessoas ligadas ao traficante, interceptando ligações e trocando informações com agentes colombianos. Tanto assim, que as autoridades colombianas fizeram questão de entregar Fernandinho Beira-Mar ao meu secretário de Segurança, coronel Josias Quintal, que viajou para aquele país no mesmo dia da operação e o trouxe para o Brasil, como mostra a reprodução abaixo.


O secretário de Segurança do meu governo, coronel Josias Quintal trazendo Fernandinho Beira-Mar da Colômbia
O secretário de Segurança do meu governo, coronel Josias Quintal trazendo Fernandinho Beira-Mar da Colômbia



Olha, nos últimos tempos, muitos fatos que têm vindo à tona vêm fazendo muitas pessoas reconhecerem realizações do meu governo e também do de Rosinha, alguns até dizem: "eu não soube disso na época". Pouco a pouco, vai se fazendo justiça sobre o que foram nossos governos, meu e de Rosinha, o que fizemos de bom, as verdades que a mídia escondeu e por aí vai. Esse caso de Beira-Mar, a matéria da VEJA desta semana, só vem mostrar que há 10 anos eu estava certo, apesar de na época ter recebido um monte de críticas. Para vocês verem que não estou exagerando uma vírgula, abaixo reproduzo dois trechos das matérias publicadas na ocasião da prisão de Beira-Mar, pelas duas maiores revistas semanais do país, VEJA e ISTO É (hoje a Época é a segunda).


Reprodução de trechos de matérias sobre a prisão de Beira-Mar, nas revistas VEJA e ISTO É, em maio de 2001
Reprodução de trechos de matérias sobre a prisão de Beira-Mar, nas revistas VEJA e ISTO É, em maio de 2001



Sentiram a ironia? Hoje a VEJA diz que Beira-Mar é o maior bandido do Brasil. Há dez anos dizia que fizemos estardalhaço com a prisão do traficante, que segundo a revista não era tão importante. Acho engraçado que hoje no Rio, qualquer segurança de boca-de-fumo que é preso é alçado pela polícia a gerente, no mínimo, às vezes vira até “dono do morro” e a imprensa bate palmas. Mas também quem puder me responda: em quatro anos que grande traficante foi preso pela polícia de Cabral? Quando conseguimos prender Beira-Mar era o contrário, a imprensa queria mostrar que ele era apenas um grande traficante, mas igual a tantos outros. Fizemos estardalhaço sim, porque foi uma grande vitória. Foi uma vitória real. O maior bandido e traficante do país foi para trás das grades numa ação que teve a participação da nossa polícia.

E por favor, não me venham com o argumento pífio de que há dez anos Beira-Mar não era o que é hoje. Ora, foi preso num acampamento do narcotráfico, na Colômbia, de lá para cá nunca mais foi solto. Será que dentro da prisão é que virou poderoso? Me poupem!

Enfim, só para finalizar quero mostrar que a reportagem da VEJA, embora notável sobre o dia-a-dia do maior bandido do Brasil tem um grande erro. A rebelião de 2002, no governo de Benedita da Silva, em Bangu 1, quando Beira-Mar comandou a execução de rivais - o traficante Uê teve até a cabeça cortada – foi comandada por ele lá mesmo no presídio. Não foi por telefone, de um presídio federal como mostra a revista. Nem havia presídios federais na época. O primeiro, o de Catanduvas (PR) só foi inaugurado em junho de 2006.


Reprodução da VEJA on line. Beira-Mar em Bangu 1, logo depois da rebelião de 2002, no governo Benedita
Reprodução da VEJA on line. Beira-Mar em Bangu 1, logo depois da rebelião de 2002, no governo Benedita



Para elucidar o episódio e ao mesmo tempo lançar luz sobre outra farsa de Cabral, com o apoio da mídia, é importante relembrar que o massacre comandado por Beira-Mar em Bangu 1 foi em setembro de 2002. Quando Rosinha assumiu, em janeiro de 2003, bateu o pé com o governo federal, que não sabia o que fazer, mas ela cobrou que Beira-Mar por estar respondendo por crimes federais tinha que ir para um presídio federal conforme estabelece a legislação.

Foi Rosinha, em 2003, quem conseguiu transferir o bandido do nosso estado. Foi levado para a sede da Polícia Federal, em Brasília e depois rodou o país, até ser inaugurado o presídio de Catanduvas. A mídia fica dizendo que Cabral foi o primeiro a ter coragem de mandar presos para outros estados, se referindo em alguns casos a meros gerentes de boca-de-fumo. Mentira deslavada. Esse mérito ninguém vai tirar de Rosinha. E olha que estamos falando de Fernandinho Beira-Mar não de bandido “pé de chinelo”.


É bom que as pessoas tomem conhecimento da verdade, que lamentavelmente a mídia esconde. Neste domingo pela manhã, a polícia vai ocupar o Complexo do São Carlos. Os bandidos foram avisados que têm até meia-noite deste sábado para deixar a área. Vão sair porque são inteligentes. Receberam uma trégua da polícia para mudar de endereço. Se podem continuar vendendo drogas em outros lugares para que vão trocar tiros desnecessários? Essa é uma das grandes diferenças, que um dia todos vão conseguir enxergar. No meu governo, claro que houve erros, nunca disse que fomos perfeitos, mas a ordem era combater o tráfico. Hoje, o governador Sérgio Cabral, que defende a liberação das drogas, só faz os traficantes mudarem de lugar.


Em tempo (23h45m): Olhando a página do blog e vendo que abaixo desta matéria está a nota sobre Beltrame e os estranhos privilégios dados aos policiais que fazem a segurança do contraventor Rogério Andrade, uma coisa me veio à cabeça. Secretário Beltrame, por que não comparar os presos da sua gestão com os dos nossos governos, meu e de Rosinha? Nem falo do número de prisões. Isso até os números maquiados do ISP (Instituto de Segurança Pública) mostram que na nossa época muito mais marginais foram presos. Refiro-me às prisões de bandidos que abalaram as estruturas de facções ou quadrilhas. Vamos comparar secretário Beltrame? Estou à sua disposição, mas de qualquer forma, aguardem que vou mostrar aqui no blog algumas prisões emblemáticas que fizemos sem disparar um tiro, só com trabalho de inteligência.