Dois contratos de R$ 142 milhões assinados pela Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana do Rio - SETRAN, viraram alvos de auditoria pelo atual governo do estado. A empresa vencedora dos dois é a Ômega Construtora, investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
Em abril do ano passado, o primeiro contrato - de R$ 72,5 milhões - foi firmado para construir um muro nos ramais da SuperVia. Quinta colocada na licitação, a Ômega venceu após descarte de quatro ofertas mais baratas. Na época, a SETRAN era chefiada pelo ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. A fiscalização da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seiop) registrou trechos fora do edital, sobreposição a muros já existentes e problemas estruturais, como placas com corrosão e vigas fora do projeto.
O segundo contrato, assinado em 24 de dezembro de 2025 por R$ 70,1 milhões, prevê a reestruturação do entorno da estação de Belford Roxo. A Ômega ficou em décimo primeiro lugar, assumindo a obra após dez desclassificações. A tramitação levou menos de um dia. Parecer sob sigilo indicou que a obra caberia a outras secretarias, mas o então governador Cláudio Castro a autorizou em "caráter excepcional", atendendo a indicação do ex-prefeito Márcio Canella. No início do ano, a SETRAN tentou repassar o projeto à Seiop, que recusou citando auditorias da gestão do governador em exercício, Ricardo Couto. A Seiop também apontou indícios de duplicidade e falta de rastreabilidade no orçamento.
A SETRAN declarou que a ordem de classificação foi cumprida e que as desqualificações ocorreram por falhas documentais, desistências ou falta de comprovação técnica. O MP confirmou dois procedimentos sigilosos sobre a Ömega.