Os magistrados do Tribunal Regional Eleitoral que ontem julgaram uma entrevista de rádio que fiz com Rosinha quando era candidata a prefeita, em 2008, disseram que a entrevista era ilegal, que eu devia ser condenado, mas o prazo já havia vencido, e portanto nem eu, nem Rosinha teríamos as consequências da Lei da Ficha Limpa.

Alguém pode ser considerado "ficha suja" por fazer uma entrevista de rádio, quando não ocupava nenhum cargo público e exercia apenas a minha profissão de radialista?

Não há, como mostrou o relator do processo desembargador Sérgio Schwaitzer, único dos membros do TRE que pertence à Justiça Federal, nenhuma prova contra mim, Rosinha ou qualquer dos acusados. Este é um processo político e teve várias interferências.

Sinceramente, prefiro ser acusado de "abusado" (uso dos meios de comunicação) que de ladrão.

Prefiro, embora injustamente, ser condenado por aquilo que não fiz, do que integrar a quadrilha do Mensalão do PT.

Ontem, o TRE deu uma demonstração clara do que muitas vezes faz a justiça brasileira. Quando os poderosos pressionam, a verdade é violentada. Mas quando a violência pode significar o estupro da lei, dizem um não dizendo sim, ou um sim dizendo não. É uma forma de agradar aos poderosos e não tirar completamente a venda dos olhos daquela mulher chamada Justiça.

Eu e Rosinha não somos acusados nesta ação de desvio de verba pública, de improbidade administrativa, compra de votos ou qualquer ato indigno ou afrontoso à Justiça Eleitoral. A acusação contra mim foi tão somente essa: uma entrevista de rádio.

E a entrevista dada pelo ex-presidente Lula no programa do Ratinho para promover o seu candidato a prefeito de São Paulo? Alguém vai pedir a inelegibilidade do apresentador e dos políticos? Só receberam uma multa de R$ 5 mil cada um.

E as dezenas de entrevistas da então candidata Dilma Rousseff dadas pelo Brasil afora antes do prazo da campanha eleitoral? Alguém pediu a sua inelegibilidade? Claro que não, recebeu apenas umas multas.

Para quem escolheu o caminho de brigar com os poderosos, denunciar banqueiros, enfrentar as máfias que comandam a política brasileira tudo é mais difícil. Qualquer coisa é usada como pretexto para punir ou usar a mídia para tentar desmoralizar.

Como nacionalista, trabalhista e defensor dos interesses populares enfrento perseguição há mais de 30 anos, e o povo tem me mantido de pé. Quero deixar para vocês uma reflexão. O que é um magistrado, senão um funcionário público. Para os leitores do blog uma notícia que talvez muitos não saibam. Quando condenado vendendo uma sentença ou envolvido em corrupção, a punição de um juiz é a aposentadoria com salário integral. Este é o Brasil. Durmam com um barulho desses.

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