27/05/2009 09:56

Papo do Blog

O nervosismo de Cabral

O governador Sérgio Cabral, pelo que tenho lido nos jornais e pelo que algumas pessoas que se relacionam com ele me contam anda nervoso. Cada vez mais dá demonstrações de que está perdido. Mas dá até para entender.

Cabral anda preocupado com as notícias de que o presidente Lula está decepcionado com o seu desempenho no governo do Estado. Também não é para menos. Cabral convenceu Lula, que se o governo federal o ajudasse no próximo ano não teria pra ninguém. Estaria sozinho no páreo com muitos corpos de vantagem sobre seus oponentes. Se reelegeria sem dificuldades e ajudaria Dilma Rousseff a se eleger com uma votação histórica para o PT no Rio.

Lula até que o está ajudando, mas Cabral não fez a sua parte. Até hoje não assumiu de fato, o seu papel de governador do Estado. Prefere passar o tempo viajando, em festas, coquetéis, jantares no Copacabana Palace. Com diz um amigo meu, a agenda de Cabral não é de um governador, mas de um socialite.

O resultado da sua falta de vontade para trabalhar fica claro analisando as últimas pesquisas. O governador está investindo milhões, na campanha publicitária mais cara já feita pelo governo do Estado. Existe ainda o fato, de que é o único dos nomes colocados nas pesquisas que já anunciou que é candidato para valer. Nem eu, nem os outros nomes sondados nas pesquisas declaramos que vamos ser candidatos.

Eu posso me candidatar, mas ainda não tomei a decisão. Gabeira diz que vai para o Senado. Cesar Maia pode ir para o Senado ou para o Governo do Estado. Lindberg também. Mesmo com todos esses fatores, Sérgio Cabral não consegue passar da casa dos 30% e o seu índice de reprovação é altíssimo.

Cabral teme que Lula precise de outro palanque no Rio para alavancar a candidatura de Dilma Rousseff. Isso atormenta Cabral.

Ontem, a Anistia Internacional, a entidade mais respeitada no mundo em termos de defesa dos direitos humanos divulgou em Londres mais um relatório onde condena abertamente o governador Sérgio Cabral pela política de extermínio na segurança pública. Diz que no Rio a barbárie chegou a um nível inacreditável, de que um em cada sete homicídios no estado é provocado pela polícia que registra como auto de resistência.

Ao ser questionado, o governador nervoso disse que esse relatório é um desrespeito com o Estado do Rio de Janeiro. Que desrespeito governador? Contra-argumentou dizendo que todos sabem que a política de segurança é a de “valorização do ser humano” e que a sua orientação é para o policial “evitar o conflito armado ao máximo”. Só pode estar gozando com a nossa cara.

A toda hora diz que o confronto é inevitável e que não muda um milímetro na política de enfrentamento a tiros. Já disse várias vezes que numa guerra sempre há vítimas inocentes. Quem que o governador pensa que engana?

Cabral tenta justificar suas incontáveis viagens internacionais dizendo que está vendendo a imagem do Rio no exterior. Pura balela. Mas uma coisa é inegável, o governador está conseguindo mudar a imagem do Rio lá fora. Pena que é pra pior, como um estado onde prolifera a violência policial, a barbárie, a segregação, o extermínio de inocentes.

O governador sabe que na campanha eleitoral tudo isso além das muitas outras mazelas da sua administração vão vir à tona. Isso que o deve estar deixando nervoso e lhe tirando o sono.

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