Vocês me conhecem, não sou pessoa de fazer média, nem com a imprensa, nem com quem quer que seja. Também não me julguem ingênuo de acreditar que por externar minha posição de solidariedade ao abuso que sofreu a repórter Vera Araújo, do Globo, que por sinal conheço da época em que fui governador, eu possa supor que vou ganhar alguma simpatia das Organizações Globo. Não tenho ilusões. Mas eu sou coerente. Se outros não são o problema é deles. Não é aceitável nos dias de hoje que a imprensa tenha o seu direito cerceado, e mais do que isso, que jornalistas sejam tratados como criminosos, como acontecia na época da ditadura militar.
Na minha juventude, no final dos anos 1970, assim como muitos de vocês, fui para a rua defender a democracia, a liberdade de expressão e pensamento, protestar contra a censura à imprensa. Sou radialista e exerço a minha profissão desde os 17 anos, sem interrupção, até quando era governador apresentava uma programa de rádio semanal prestando contas do meu governo. Nunca vivi às custas da política, sempre sustentei minha família pelo suor do meu trabalho, fazendo rádio.
Sei o que representa o cerceamento da liberdade de imprensa. O meu blog - como vocês sabem - está há mais de um ano sob censura, numa aberração judicial em tempos de democracia. Nunca foi publicada uma linha de solidariedade na imprensa, sequer o fato foi noticiado até hoje. Da mesma forma estou consciente que na primeira "pancada" que levar de algum veículo das Organizações Globo alguns leitores vão me criticar por este posicionamento e dizer que fiz papel de bobo. Não me importa. Continuarei fiel aos meus princípios morais e éticos.
Direitos têm que ser para todos, sejam os que estão do seu lado ou adversários políticos. Senão que democracia é essa? E espero também que esse episódio lamentável não seja usado para atacar a corporação da Polícia Militar como um todo. Mais uma vez prefiro ser coerente. Tenho aqui no nosso blog feito inúmeras críticas à atuação da PM em várias situações, por falta de comando ou ordens equivocadas. Vocês são testemunhas disso. Nesse caso, por tudo o que foi noticiado, fica evidente que houve excesso, arbitrariedade e violência por parte de um policial. Maus profissionais existem em todas as áreas, na minha, na política, no jornalismo, na polícia, em qualquer profissão. Que o culpado seja punido, é assim que funciona nas democracias.