Rodrigo Janot e Raquel Dodge
Rodrigo Janot e Raquel Dodge

Muita gente está contando os dias para a saída do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. No dia 17 de setembro ele passa o cargo a Raquel Dodge, escolhida por Michel Temer da lista tríplice (ficou em 2º lugar na eleição interna). Ouvi de um deputado preocupado com a Lava Jato: "Tem que torcer para sobreviver às flechas de Janot até o início de setembro. Os últimos dez dias do mandato ele vai arrumar as gavetas e participar de homenagens. Mas ainda falta um mês e meio. É aí que mora o perigo". Na sua sabatina no Senado, Raquel Dodge apresentou um discurso leve, que soou como música aos ouvidos dos senadores enrolados na Lava Jato ou que correm risco de serem arrastados para o furacão. Isso está criando expectativas em muitos parlamentares de que Raquel Dodge pegará mais leve que Janot. Mas uma coisa é o discurso no Senado, falando àqueles que iriam referendar ou não sua indicação para o comando da PGR, outra é a hora de colocar a mão na massa. Temer e alguns aliados torcem e sonham que ela "pague a fatura" da escolha. Mas nada garante que ela se sinta devedora ou que esteja disposta a "pagar a fatura". Lembrem do caso do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Foi nomeado por Lula, nem por isso poupou o PT no caso do Mensalão onde foi o relator. Até Raquel Dodge assumir, e com sua atuação elucidar a incógnita que assola a cabeça de centenas de políticos só lhes resta ficar na torcida, mas sempre com um pé atrás, e em muitos casos, uma mala com roupa e artigos de higiene arrumada na eventualidade da campainha de casa tocar às seis da manhã.