Está faltando isenção a alguns colunistas políticos quando abordam as limitações aos novos partidos aprovada esta semana na Câmara dos Deputados. Vêm tratando a questão como um casuísmo do governo para impedir a candidatura de Marina Silva. Ora, é preciso ser imparcial e analisar algumas questões.
Esses mesmos jornalistas há muito tempo criticam a criação de novos partidos que viram moeda de troca eleitoral. É inegável que essa limitação no tempo de televisão e nos recursos do Fundo Partidário inibe a criação de novos partidos. É claro que por circunstâncias do momento, a Rede, partido que Marina Silva está tentando viabilizar, assim como outras siglas em processo de criação, vão ser atingidas. Duvido que se Marina Silva não estivesse entre os prejudicados se alguém levantaria a voz contra uma medida, que esses mesmos colunistas já cobraram em outros momentos.
Porém, é curioso, que não haja um único colunista que chame a atenção para um detalhe importante: Marina Silva pode ser candidata por outro partido. Esse pode não ser o seu plano, mas é inegável que é uma opção eleitoral. Logo, a mudança aprovada pela Câmara - passará agora pelo Senado - não impede a candidatura de Marina Silva como querem dar a entender.
Também não procede a versão de que o PSDB e o PSB estão mobilizados para ajudar Marina Silva. A afirmação correta é que tanto Aécio Neves, quanto Eduardo Campos têm interesse - elementar - que Marina Silva seja candidata porque sabem que inevitavelmente ela tirará votos da presidente Dilma Rousseff. Mas o resultado da votação na Câmara desmente essas afirmações. Abaixo podem ver a relação de partidos e deputados. Na votação da Câmara houve apenas 30 votos contrários à mudança. O PSDB tem 49 deputados e PSB, 26. Logo está claro pelo resultado que o PSDB e o PSB votaram junto com a maioria, pelo menos a maior parte das duas bancadas.